Preço do Café Hoje: o Que Explica a Queda Depois do Recorde de 2026

preço do café hoje - saca de café arábica em lavoura brasileira durante a colheita

O preço do café hoje segue um roteiro que pegou muita gente de surpresa: depois de bater recorde histórico em fevereiro de 2025, a saca do arábica já caiu mais de 32% na Cepea/Esalq, mesmo com o consumo mundial ainda aquecido. A explicação não está na demanda, mas na oferta: o Brasil colheu a maior safra da história e o mercado internacional passou a operar com superávit pela primeira vez em vários anos.

Para quem vive de terra, entender esse movimento é questão de fluxo de caixa. Uma queda de quase um terço no preço em relação ao pico muda a conta de quem já fechou o custo de produção lá atrás, na hora de comprar insumo e pagar diarista. Este texto traz os números mais recentes da Cepea, o que aconteceu com a tarifa dos Estados Unidos sobre o café brasileiro e como a safra recorde de 2026 se conecta com o valor que chega no bolso do produtor.

A resposta curta

Em 28 de agosto de 2026, a saca de 60 kg do café arábica é negociada a R$ 1.728,61 pelo indicador Cepea/Esalq, e o conilon a R$ 1.027,55. Frente ao recorde histórico de R$ 2.565,41 por saca, atingido em fevereiro de 2025, o arábica já perdeu cerca de 33% de valor. O motivo é a oferta: o Brasil deve colher uma safra recorde de 66,7 milhões de sacas, e o mercado global de café projeta seu primeiro superávit em quatro anos. A oferta, não a demanda, é quem está mandando no preço do café hoje.

Quanto está a saca de café hoje, segundo a Cepea?

O indicador Cepea/Esalq, referência para contratos e negociações no Brasil, mostra o preço do café hoje: em 28 de agosto de 2026, o café arábica a R$ 1.728,61 por saca de 60 kg, queda de 0,81% no dia e alta de 0,95% no acumulado do mês. O robusta, tipo conilon predominante no Espírito Santo e em parte de Minas e Rondônia, foi cotado a R$ 1.027,55 por saca, com alta de 0,55% no dia, mas queda de 5,53% no mês.

Convertendo pelo próprio indicador, o arábica equivale a US$ 332,42 e o conilon a US$ 197,61 por saca, o que dá uma taxa de câmbio implícita de aproximadamente R$ 5,20 por dólar embutida na cotação. Esse detalhe importa porque o preço em reais que o produtor recebe é sempre o resultado de duas variáveis se movendo ao mesmo tempo: a cotação em dólar nas bolsas de Nova York e Londres, e o câmbio do dia. É por isso que o preço pode subir no mês em reais, como aconteceu com o arábica em agosto, mesmo com o mercado internacional ainda pressionado pela safra recorde.

evolução do preço do café arábica e conilon em 2025 e 2026, mostrando o recorde de fevereiro de 2025 e a queda de quase 30% até agosto de 2026

Por que o preço do café caiu em 2026 se a demanda continua alta?

O mundo do café está trocando um ciclo de escassez por um de recomposição de estoques. Segundo a StoneX, o mercado global deve fechar 2026 com superávit de 10 milhões de sacas, encerrando quatro anos seguidos de queda nos estoques mundiais. A projeção da corretora é de que a produção brasileira cresça 20,8% na safra 2026/27, chegando a 75,3 milhões de sacas, puxada sobretudo pelo robusta. Já o USDA projeta que a safra mundial 2026/27 deve bater recorde histórico, superando 189,7 milhões de sacas pela primeira vez.

Na prática, quando a oferta global cresce mais rápido que o consumo, que sobe de forma lenta e previsível ano a ano, o excedente pressiona o preço para baixo até encontrar um novo equilíbrio. Foi esse mecanismo, e não uma retração no consumo de café, que corrigiu os preços em 2026. Para entender o mecanismo completo de formação do preço, vale ler também este outro guia do KB Agro News sobre por que o café ainda está caro na prateleira, que detalha como a cotação internacional chega até o pacote no supermercado.

A tarifa dos EUA sobre o café brasileiro ainda pesa no preço?

Parte da alta de 2025 teve origem política, não climática. Em julho daquele ano, o governo dos Estados Unidos impôs uma tarifa adicional que levou a taxação total sobre produtos brasileiros, incluindo o café, a 50%. Como os Estados Unidos são o maior comprador individual de café do Brasil, o efeito foi imediato: exportadores repassaram parte do custo extra, e o mercado interno também sentiu o reflexo, com o preço da saca disparando até o recorde de fevereiro de 2025, mesmo antes da safra recorde de 2026 chegar às tulhas.

Em 20 de novembro de 2025, uma ordem executiva do governo americano retirou a alíquota adicional de 40% sobre uma lista de produtos agrícolas brasileiros que incluía café, carne bovina, cacau, frutas tropicais e suco de laranja, citando avanço nas negociações entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. A tarifa deixou de ser um fator de choque, mas o episódio serviu de lembrete: para quem exporta commodity, a política comercial de outro país pode valer tanto quanto uma geada.

O que a safra recorde de 2026 muda para quem vende café agora?

O preço do café hoje reflete diretamente o tamanho da colheita: a Conab elevou a estimativa da safra 2026 para 66,7 milhões de sacas beneficiadas, alta de 18% sobre 2025 e novo recorde histórico, superando a marca anterior de 63,08 milhões de sacas, de 2020. O arábica puxou o crescimento, com 45,77 milhões de sacas, avanço de 28%, beneficiado pela bienalidade positiva do cafeeiro e por clima mais favorável durante a floração e o enchimento dos grãos. O conilon somou 20,93 milhões de sacas, alta discreta de 0,8%, já que a produtividade menor compensou o avanço da área plantada.

Por trás do volume maior está também ganho de produtividade: a área plantada cresceu 3,9%, para 2,34 milhões de hectares (sendo 1,94 milhão de hectares já em produção e 401,7 mil hectares ainda em formação), mas o rendimento médio subiu 13%, para 34,4 sacas por hectare. Isso é manejo se traduzindo em planilha: mais café saindo do mesmo pedaço de terra reduz o custo fixo por saca, o que dá ao produtor mais fôlego para segurar estoque mesmo com o preço em queda frente ao pico de 2025.

A leitura KB

O ponto que costuma escapar da manchete sobre o preço do café hoje é que preço de commodity agrícola nunca é uma única variável. É clima, é câmbio, é política comercial e é ciclo biológico da planta, tudo somado na mesma conta. A safra recorde de 2026 é, em parte, efeito da bienalidade positiva do arábica, o que significa que 2027 tende a ser um ano de produção mais baixa por natureza da própria planta, não por acidente de percurso.

Isso cria uma janela de decisão. Quem trava parte da produção no mercado futuro, seja pela B3 seja por contratos com cooperativas, converte a cotação de hoje em receita garantida antes de uma eventual reversão do ciclo — a lógica é a mesma que já explicamos neste guia sobre como se forma o preço da soja e o papel do mercado futuro. Quem vende tudo no mercado disponível aposta que o preço vai se manter ou subir, o que depende de fatores fora do controle do produtor, como o resultado da safra do Vietnã, segundo maior produtor mundial de conilon, e o rumo da tarifa americana.

O que fazer com isso

Antes de fechar a venda da safra, vale comparar o preço do café hoje, na cotação Cepea, com o custo de produção por saca, não com a lembrança do preço recorde de 2025. Para quem trabalha com conilon, a diferença de R$ 701,06 por saca em relação ao arábica reforça a importância de negociar por tipo e qualidade, e não pelo preço médio de mercado. E para quem tem folga financeira, escalonar a venda ao longo dos próximos meses, em vez de vender tudo de uma vez, reduz a exposição a um único dia de cotação.

Vale acompanhar também o desdobramento das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos: qualquer novo ajuste de tarifa afeta diretamente o preço pago pelo exportador e, por consequência, o valor repassado ao produtor. Para quem está avaliando renovar ou expandir o cafezal aproveitando o ciclo de investimento, vale também entender como funciona o crédito rural do Plano Safra, aqui no KB Agro News.

Momento do mercado (atualizado em 28/08/2026)
O indicador Cepea/Esalq cotava a saca do café arábica a R$ 1.728,61 e a do conilon a R$ 1.027,55. A semana foi de queda acentuada: só no pregão de 27 de agosto o arábica recuou 3,22%, o maior tombo diário do mês, acumulando perda de mais de R$ 75 por saca em relação a 21 de agosto.

Acompanhe a cotação do dia diretamente no site do Cepea antes de fechar negócio, já que o mercado de café pode variar de forma expressiva em poucas sessões.


Perguntas frequentes

Qual é o preço do café hoje na Cepea?

O preço do café hoje: em 28 de agosto de 2026, o indicador Cepea/Esalq cotava o café arábica a R$ 1.728,61 por saca de 60 kg e o conilon (robusta) a R$ 1.027,55. Os valores mudam diariamente conforme a negociação nas bolsas de Nova York e Londres e o câmbio do dia, então vale conferir a cotação atualizada antes de vender.

Por que o preço do café está caindo em 2026?

O preço do café hoje caiu porque a oferta cresceu mais rápido que a demanda. O Brasil deve colher uma safra recorde de 66,7 milhões de sacas, segundo a Conab, e a StoneX projeta o primeiro superávit global de café em quatro anos, de 10 milhões de sacas, o que pressiona o preço nas bolsas para baixo mesmo com o consumo mundial em alta.

A tarifa dos Estados Unidos sobre o café brasileiro acabou?

Não integralmente. Em novembro de 2025, o governo americano retirou a alíquota adicional de 40% que havia elevado a taxação total a 50%, mas isso não significa tarifa zero. O tema segue em negociação entre os dois governos e pode voltar a mexer no preço.

Qual a diferença de preço entre café arábica e conilon?

Em 28 de agosto de 2026, o arábica valia R$ 701,06 a mais por saca do que o conilon no indicador Cepea. A diferença reflete o perfil sensorial mais valorizado do arábica, usado em cafés especiais e blends premium, enquanto o conilon é mais usado em solúveis e blends de menor custo.

Vale a pena vender a safra de café agora ou esperar?

Depende do preço do café hoje frente ao custo de produção de cada propriedade e da necessidade de caixa. Como 2026 marca uma safra recorde e uma correção de mais de 32% frente ao pico de 2025, muitos analistas recomendam travar parte da produção em contratos futuros em vez de concentrar toda a venda em um único momento do ano.

Foto de Davi Kilmer

Sobre o autor

Davi Kilmer

Estudante de Agronomia na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Analista Geoespacial, com foco em geoprocessamento, sensoriamento remoto e regularização ambiental (CAR). Criador do PRA Divider, plugin gratuito para QGIS. Escreve sobre crédito rural, política agrícola e tecnologia no campo.

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